segunda-feira, 5 de outubro de 2009

É...


“Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos...”, Nelson Rodrigues

As previsões desse colunista sobre a vitória esmagadora do Fluminense sobre o Flamengo não passaram de um trote sobrenatural. Como a Mãe Dinah e tantos outros que não acertam nada, fiz o meu papel. Acreditei até ver o jogo, que na verdade me encheu de pena ver o Conca jogando ao lado de, como diz o Anderson no texto aí abaixo, tanta mulambada. Então hoje a coluna vai feder carniça, pois deixo o espaço em homenagem a urubuzada.

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Mais uma vez o Flamengo cumpriu com seu dever e honrou seu compromisso de lutar sem cessar pela moralização do futebol brasileiro. Os dois certeiros projéteis que o impiedoso Imperador desferiu contra o corpo já exangue do moribundo acabaram por mandar o reprovável foragido definitivamente para o submundo da Serie B. Da onde todos aqueles que clamam pela justiça declaram que jamais deveria ter saído.
A imbatível Magnética deu show e garantiu mais um recorde de público e renda. Não adianta, mulambada da camisa feiona, o Flamengo é o verdadeiro trem pagador do futebol brasileiro. Uma força econômica que gera empregos, renda e oportunidades para todos.
Esperamos que agora o Florminense, que tantos maus exemplos vêm dando ao Brasil desde sua irregular evasão em 2000, pague sua dívida com a sociedade e inicie imediatamente o longo processo de reabilitação.
Tô muito chapado agora pra ficar de conversinha. Quero ver o replay completo no Sportv. Amanhã nos determos com mais vagar sobre a épica bambuzada que aplicamos nas flores. Agora vou descansar porque a jornada rumo ao G4 será árdua. Triunfaremos.
E não poderia encerrar sem louvar o perfeito funcionamento do sistema de drenagem do Mario Filho. Simplesmente o melhor do mundo. Nós merecemos.

Anderson Gasparelo é urubu.

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Colunista agradece o diploma de sofredor enviado por Osvaldo Seccin.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O Maraca é nosso!


“O Fla-Flu surgiu quarenta minutos antes do nada”, Nelson Rodrigues.
Que o Fluminense vai vencer, isso todo mundo já sabe. Embalado por duas vitórias consecutivas, inclusive uma goleada de 4 a 1 sobre o Alianza, o verdadeiro e único Tricolor que existe (os outros são times de três cores) vai fazer ensopado de urubu amanhã.
Os habitantes “morro do lixo” já estão tremendo na base. Uns já me adiantaram que o Flamengo vai permitir a vitória para ajudar o irmão carioca a sair da lanterna. Balela! O Fluzão não precisa da piedade de ninguém, muito menos da favela.
Já dizia Nelson Rodrigues: “o Flamengo tem mais torcida, o Fluminense tem mais gente!”.
Para ilustrar o que estou dizendo, num passado não muito distante, mas precisamente em 2008, adivinha quem deu uma goleada de 4 a 1 pela Taça Guanabara? Não precisa responder. Mas para aqueles que não se lembram é só perguntar ao exterminador de carniceiros, Thiago Neves. O meia-atacante marcou três gols e se tornou o último carrasco rubro-negro a vestir verde, branco e grená. Thiago Neves apontou Conca como seu substituto na missão de “aniquilar” o Flamengo amanhã.
Sei que a urubuzada vai me encher o saco por causa desse artigo, mas não ligo. Sou movido a paixões e hoje o Fluminense é a minha única paixão. Portanto, não me venham com chorumelas.
Na verdade, o Fla x Flu de domingo já entrou para história 24 horas antes. Sei que o Flamengo vai tentar vencer o clássico mais charmoso do Brasil, mas de charme quem entende é o Fluminense. Não é coisa pra qualquer um.
Escrevo com a certeza antecipada da vitória, pois só ela interessa. Caso não aconteça, mesmo assim o Fluminense sai campeão. Não admito outra hipótese. Sou tricolor de coração!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Quem cola não entra na escola


“Tudo tem um fim. Só a salsicha tem dois!”

O cancelamento das provas do Enem, que seriam realizadas neste fim de semana pegou todo mundo de surpresa, principalmente professores e coordenadores de cursos pré vestibulares. Algumas universidades que utilizariam o exame como forma de ingresso estão pensando em retirá-lo por causa do acontecido. No sul do Espírito Santo, mais especificamente em Cachoeiro, quem participou de aulões para se preparar não conteve a frustração. Agora é sentar e esperar...
Parece que o velho ditado “quem não cola não sai da escola” não cabe bem ao episódio, uma vez que a cópia da prova tinha por finalidade o ingresso e não a saída do ensino superior.
A mobilização da classe estudantil foi imediata, após o anúncio fatídico do cancelamento. O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Augusto Chaves, disse que a entidade acompanhará o processo de investigação do vazamento de questões da prova junto com o Ministério da Educação (MEC). A preocupação da UNE não é só respaldar a classe estudantil, mas também garantir que o processo seletivo do Enem não venha a ser prejudicado.
Enquanto os universitários buscam respostas de forma diplomática, os secundaristas, maiores prejudicados no processo, estão com os nervos à flor pele. Cerca de 100 estudantes fizeram ontem um protesto nas escadarias da Câmara Municipal da Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, contra o cancelamento das provas.
Meio contraditório, mas... Eles pedem respeito em frente ao prédio com apitos, cartazes, caras pintas e narizes de palhaço.
A fraude é o principal motivo do protesto. Os mesmos que estão nervosos fizeram até curso de relaxamento para enfrentar a prova. Agora nem lexotan acalma a garotada.
É preciso apurar os fatos. Como vazou a prova? Isso o MEC vai ter que explicar. Os candidatos e as universidades querem saber.
Passado esse período conturbado, os candidatos devem colocar a cabeça (no bom sentido, é claro) no lugar e continuar a preparação. E para isso a coluna deixa uma dica sobre a reforma ortográfica: "Jamais trema em cima da linguiça!"

Sobre o Dia do Escritor


"O uísque é o melhor amigo do homem. É o cachorro engarrafado", Vinícius de Morais.


O projeto de autoria do vereador verde Júlio Ferrari que institui do Dia do Escritor me parece, num primeiro momento, louvável. Em Cachoeiro de Itapemirim, cidade conhecida por seus ilustres filhos ligados a cultura e por ser a capital nacional da crônica já deveria ter um momento de homenagem singelo como este. A única crítica que faço é quanto a data escolhida.
Está certo que dia 12 de janeiro marca o nascimento de Rubem Braga, mas convenhamos... Aposto que o próprio velho, se estivesse vivo, comemoraria suas bodas nas sombras e águas frescas de Marataízes.
Nesse período, a Atenas Capixaba se torna uma verdadeira sucursal do inferno, de tão quente. E não há terceira idade da Academia Cachoeirense de Letras ou qualquer outro que aguente a temperatura quase que venusiana da cidade. O sueco Anders Celsius que o diga.
Já que não tem outro jeito então o negócio é apelar para o trágico e velho bom senso. Por que não a data do falecimento do “Pai da Crônica Moderna”? É até mais poético. Pergunte a Milena. Ela endente mais desse assunto. Só que aí encontramos mais um problema. Braga faleceu em dezembro de 1990. E agora? Será que não há nenhum escritor que nasceu ou morreu no mês de junho? Rubem Braga tinha que ser, modéstia a parte, de Cachoeiro mesmo. Ele que era ranzinza quando vivo deve estar rindo da nossa cara agora que está do outro lado.
Mas temos que encontrar uma solução para a questão levantada neste espaço ímpar e ditatorial. Apenas eu e o presidente interino de Honduras podemos dar pitacos aqui. Então, voltando ao assunto eis que surge outro ilustre nome para ser referenciado com seu dia. Não nasceu em Cachoeiro, muito menos viria aqui ser homenageado em janeiro, nesse calor dos infernos. Que tal Vinícius de Morais? Por que? Ora! De tanto Velho Braga falar de Cachoeiro de Itapemirim em suas crônicas, o Poetinha logo interviu: “lá vem o Braga falando dessa Capital Secreta do Mundo de novo!”.
Portanto nosso mais oportuno título é de autoria de Vinícius. Então é só escolher a dada: 10 de outubro (uma primavera) para o nascimento ou 08 de julho (friozinho bom) para a morte. Vocês decidem.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Deu no NYTIMES: DVD original


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Estados Desunidos do Brasil


“Unir para desunir, fazer para desfazer, edificar para demolir, viver para morrer, eis aqui a sorte e condição de natureza humana", Marquês de Maricá.

O embate em torno do pré-sal já virou novela das oito. Os três estados “produtores” do sudeste não querem repartir o bolo com o resto do país e a questão dos royalties ainda vai dar pano pra manga.
Depois que Hartung, Serra e Cabral se reuniram com Lula, agora os governadores do nordeste contra-atacam querendo formar uma aliança em prol dos dividendos provenientes dos estados produtores.
Acho que apesar do impacto sócio-ambiental que o Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo vão sofrer não justifica a falta de solidariedade com os demais governos. Somos ou não somos uma federação?
O que os governadores querem é voltar ao tempo dos Estados Unidos do Brasil, onde cada um vive por si e Deus por todos. Não é assim que a coisa funciona. Diminuir a diferença entre o centro comercial e as periferias deveria ser prioridade entre PSDB e PMDB.
Aqui temos dois entraves. Um (o PMDB) da base aliada do governo e outro (PSDB) de oposição, mas que levanta a bandeira social-democrata. Os estatutos dessas siglas, na teoria, poderiam acabar de vez com todos os problemas que assolam o país. Agora, a prática... São outros quinhentos.
Se os dois governadores peemedebistas (Paulo Hartung e Sérgio Cabral) seguissem a linha governista, Serra ficaria sozinho e isolado nas garoas de São Paulo. A conclusão é que as apostas para sucessão presidencial já começaram nos bastidores.
Se Monteiro Lobato estivesse vivo aposto que estaria dizendo "eu te disse Narizinho". Ele defendeu que no Brasil habia petróleo, apesar de Getúlio Vargas mandar prendê-lo. Hoje a briga é outra...
Daqui alguns anos, além do pedágio vergonhoso das estradas federais e estaduais, vamos ter que tirar passaporte para atravessar as divisas de um estado para outro. Já que é assim, porque não gritar logo de uma vez: “Independência ou morte”!

Burocracia é coisa de pelego



“Político é igual lagosta: tem casca dura, merda na cabeça e vive nas costas do Brasil”.

É culpa da burocracia. Essa palavrinha que atravanca o funcionamento dos setores públicos em nosso país. Tivemos um bom exemplo disso na Capital Secreta do Mundo: os professores que tentaram sacar o abono no final de semana nos caixas eletrônicos deram com os chapéus de burros n´água.
O governo prometeu que sairia no sábado. Fez até propaganda no informativo eletrônico oficial. Mas só às vésperas do pagamento descobriram uma “falha técnica” no sistema operacional. Acho que foi problema de “junta”, se é que vocês me entendem...
Sobre a burocracia que impede o andamento das ações governamentais um ícone de toda uma geração de esquerda dizia que “(...) a burocracia estatal existia na época dos regimes burgueses com seu cortejo de bajuladoes e lacaios, já que a sombra do pressuposto medrava um grande número de aproveitadores que constituíam a ‘corte’ do político do turno (...)”. Esse é um trecho de um artigo publicado na Revista Cuba Socialista em fevereiro de 1963 por Ernesto “Che” Guevara. Será que alguém do Palácio chegou a ler isso ao menos uma vez? Acredito que sim.
E para dizer que não falei das flores, há muita gente no Partido dos Trabalhadores (gente que quer ver a coisa funcionar apesar dos trâmites legais) que deveria ser ouvido mais pelos “cabeças”. Não somente os “cabeçudos” têm que dar palpites.
O que parece é que esqueceram de ler a cartilha. Não adianta dar discursos religiosamente programados se aqui em baixo o catecismo é outro. O problema do abono é só mais um no meio de tantos outros que acompanhamos pelos noticiários, como promessa de creche em agosto que só vai funcionar em dezembro, e por aí vai.
Enquanto essas burocracias não forem eliminadas de vez não há previsão para o funcionamento adequado da máquina. E para finalizar, burocracia é coisa de pelego.